Vida e morte. Morte e vida
A vida
O controle do portão eletrônico deu pra ter vida própria. Ora funciona, ora não funciona. Domingo, fim de noite, chuva fina e temperatura mais baixa. Adivinha só? Decidiu não funcionar. Bem do jeitinho que Murphy gosta.
Dei a volta na quadra e estacionei em frente ao prédio. No som, "Free as Bird", dos Beatles. Essa música foi composta por John Lennon mas lançada após a morte dele. Ringo Starr, Paul McCartney e George Harrison fizeram uma manobra técnica e acrescentaram mais vozes e a parte instrumental. Só esse contexto já intensifica o sabor da canção. E o clipe então? Sugere um sobrevoo pelos locais que marcaram a história dos Beatles, como Strawberry Field, o Cavern. Muito nostálgico.
Pensando nisso tudo, acho que acabei sobrevoando a vida também. Sob o vidro molhado, contemplei janelas acesas e vultos dentros de seus apartamentos. Como será que eles vivem? Sabem o quão sortudos são de terem ar entrando nos pulmões?
Pensei nas vidas que se esfacelam, como a de Kate, de "Uma Prova de Amor", filme que vi hoje. Pensei nos tecidos invisíveis que unem as pessoas, como os Beatles e a família da personagem que a apoiava inteiramente na luta contra a insuficiência renal.
E pensei na minha vida também, cheia de saúde e de possibilidades. E assim, numa noite chuvosa de domingo, quis vivê-la toda de uma vez só. Quis respirar fundo para prendê-la em mim, para não deixá-la escapar. Afinal, quantos teriam a coragem de Kate, de olhar a morte de frente?
A morte
A tradução para o português não valorizou muito "Uma Prova de Amor". O título original "Sister Keeper" tem beeeem mais impacto. Mas abstraiam o nome fraco e não deixem de assistir. Muito bonito, roteiro original e atuações convincentes, principalmente a de Abigail Breslin, aquela fofa de "Pequena Miss Sunshine". O diretor é o mesmo de "Diário de uma Paixão", que eu amo, e a história é baseada no livro de Jodi Picoult.
Vivos e morto. Todos unidos, por meio de uma canção

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